segunda-feira, 11 de julho de 2011

Debussy e Stockhausen: Duas polaridades da experiência musical - Parte 3

A música, como qualquer linguagem artística, não se desenvolve na história de forma previsível, compreender o fenômeno da arte por meio de estruturas evolutivas ou resultados diretos de uma configuração histórico-cultural contraria grande parte da nossa experiência. Mas é impossível negar que a arte sofre mudanças proporcionais à realidade na qual se encontra inserida e que sua existência é limitada às condições tecnológicas de seu tempo e às restrições empíricas da imaginação humana. As novidades técnicas que sustentaram o surgimento da música eletrônica ocupa um lugar privilegiado no interior deste pensamento, sua aparição fornece um novo espaço de criação, tanto pela nova materialidade sonora quanto pelo modo como ela é usada e percebida.
O surgimento da música eletrônica pode certamente ser compreendido como um desses momentos em que o antes e o depois compõem fronteiras extremamente significativas, em especial com relação ao modo como a obra é recebida e compreendida. Nesse sentido, a trama dessa história divide dois momentos da música cuja característica que às distingue é o modo como se percebe a música, mais especificamente, o modo como a música se relaciona com o tempo na sua recepção.


Alexis Korner - Accidentally Born In New Orleans 1973


Um álbum muito interessante, mas que não tem nada a ver com o texto...

domingo, 10 de julho de 2011

Debussy e Stockhausen: Duas polaridades da experiência musical - Parte 2


Considerando a história da música de maneira mais ampla, creio que a novidade técnica que modificou a natureza da música de maneira mais significativa foi o desenvolvimento dos instrumentos que formariam os primeiros estúdios eletroacústicos, me refiro especialmente à estética originária da Musique Concréte francesa e a Elektronische Musik alemã. Os aparelhos eletrônicos que surgiram anteriormente, como o telarmônio o órgão Hammond e o Teremim, apesar de desempenharem papéis importantíssimos na história da música, ainda não despertaram uma compreensão privilegiada da música.
O órgão Hammond estimulou uma excelente produção musical, especialmente a partir da década de 50. Seu timbre único e suas potencialidades técnicas abriram um campo de possibilidades extremamente rico e se mostrou fértil na realização e idealização de experiências antes inimaginável. O jazz, o blues e, particularmente, o rock progressivo, devem grande parte de sua produção ao espaço criativo aberto pelo órgão Hammond. No entanto, toda a composição que se originou com o Hammond ocupava estruturas já existentes, a música o absorveu e o acomodou dentro de formas já concebidas.
Com os métodos de gravação que permitiam uma manipulação posterior dos sons captados, de modo que sua natureza originária se transfigurava em efeitos sonoros com funções completamente distintas, Pierre Schaeffer, junto à equipe da RTF, iniciou uma jornada cujo trajeto, completamente desconhecido, redefinia a música. Paralelamente, a NWDR desenvolvia pesquisas semelhantes, mas o ideal alemão parecia ser ainda mais consciente quando havia ainda a exigência do próprio material sonoro originário ser puramente eletrônico. “O material sonoro (basicamente ondas sinusoidais e ruídos) era manipulado por meio de processos de síntese, modulação de amplitude, filtragem e reverberação e, depois, fixado em fita magnética.”[1]


[1] http://www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-index.php?page=m%C3%BAsica+eletroac%C3%BAstica


Pierre Schaeffer & Pierre Henry - Symphonie Pour Un Homme Seul 1949 



terça-feira, 5 de julho de 2011

Debussy e Stockhausen: Duas polaridades da experiência musical - Introdução



Quando um novo recurso técnico é incorporado pela arte ela se transforma. Todas as suas dimensões sofrem alterações: A sua criação é enriquecida com novas possibilidades e uma compreensão da música já existente, sua existência é ampliada em sua própria materialidade além do modo com o publico recebe a obra ser forçadamente modificado. Obviamente, nem toda novidade técnica alcança conseqüências tão radicais e extensas como a reprodutibilidade técnica narrada por Walter Benjamin, mas uma investigação precisa é certamente capaz de encontrar alterações significativas provocados pelos mais variados recursos técnicos que surgiram na história da arte.
No contexto da música brasileira temos bons exemplos. Tom Zé, numa conversa documentada com David Byrne, oferece uma interpretação esclarecedora acerca do surgimento da Bossa Nova: A música que antecede sua criação é marcada por vocais cuja expressividade se baseava em gritos potentes, e não poderia ser diferente, a restrição técnica da gravação delimitava o próprio escopo criativo. Foi o aperfeiçoamento do microfone que permitiu a realização do vocal frágil e sussurrado de João Gilberto, mais do que isso, a própria idealização de uma vocal assim não seria possível sem o desenvolvimento do microfone. A música tropicalista também permite esclarecimentos análogos, ele deve parte de sua produção à nova compreensão que a absorção da guitarra elétrica proporcionou ao samba e a música folclórica.




Novos Baianos - Acabou Chorare 1972




João Gilberto - Chega de Saudade 1959

domingo, 3 de julho de 2011

Música Eletrônica


Iannis Xenakis - Electronic Music 1997




Gérard Grisey - Les espaces accoustiques 1985






           Estudei, nesse último mês, bastante música eletrônica, e, diferentemente do que primeiro se espera de músicas nomeadas por este jargão, encontrei obras que realmente me surpreenderam. Postei aquilo que mais me agradou, sem me preocupar com uma apresentação linear da história da música eletrônica. Achei importante postar o primeiro álbum por sua pureza: Entre músicas separadas por datas radicalmente distintas há uma preocupação clara com a particularidade do som eletrônico. Recusando estruturas já existentes, Iannis Xenákis focaliza sua atenção para elementos que só poderiam ser percebidos e explorados intencionalmente com a música eletrônica, a saber, o timbre. Karlheinz Stockhausen também desenvolve uma proposta estética parecida na qual a instantaneidade da materialidade do som se destaca em relação às estruturas musicais que se dão no tempo (a melodia).
         O álbum de Gérard Grisey mostra um tipo de experiência completamente diferente, onde a música eletrônica se encontra intimamente ligada à música erudita, até mesmo se confundem. São sons que, por vezes, nem ostentam um timbre eletrônico, mas o modo como é usamos é inegavelmente originário das formas musicais possibilitadas pelos recursos eletrônicos.



sábado, 2 de julho de 2011

Thirsty Moon - You'll Never Come Back 1974

    
     Este album não pode ser julgado de pela capa, nem pelo que se espera de uma banda de rock progressivo alemão. A capa é feia, e a música é distante daquilo que os alemães sabem fazer de melhor, no entanto, este álbum é uma delícia, bem clássico, talvez pouco original, mas certamente tem muita qualidade.


1. I See You (7:18)
2. Trash Man (14:27)
3. Tune In (5:00)
4. You'll Never Come Back (12:34)
5. Das Fest Der Völker (5:05)

- Jürgen Drogies / guitar, percussion
- Norbert Drogies/ drums
- Michael Kobs / keyboards
- Harald Konietzko / bass, acoustic guitar, vocals
- Erwin Noack / percussion
- Willi Pape / woodwinds

Download 4shared - 51M
Rapidshare - 62MB

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Álbuns de Solos de Piano


Thelonious Monk - Alone In San Francisco 1959



Hank Jones - Solo Piano 1976



Keith Jarrett - The Koln Concert 1975

Don Gibson - The Chronological Classics 1948 - 1959

  
     Acredito que se trata de um clássico country americano. Meu gosto se comporta sempre de forma muito confusa e inesperada: Conheci por acaso essa coletânea e fiquei bastante comovido com a música. Não me comprometo com o valor deste álbum, mas acredito que pode proporcionar-lhes um momento agradável. 


terça-feira, 21 de junho de 2011

domingo, 17 de abril de 2011

New Trolls - UT 1972


         A fim de defender as pessoas envolvidas em disponibilizar e baixar artigos musicais na internet pensei em, por meio deste post que oferece este álbum clássico de New Trolls, reservar um espaço para a discussão dessa questão. Escolhi este álbum porque o comprei recentemente, em LP, pela empresa BTF que, dentre outras atividades, relança álbuns italianos dos anos 70. Na minha última compra gastei um grana comprando 9 álbuns. O ponto óbvio que quero destacar é que o fato de conseguir encontrar todos estes álbuns que comprei gratuitamente na internet não me impediu de comprar os mesmo produtos por meios legais. Contrariamente, creio que seja correto afirmarmos justamente o oposto: É pelo fato de conhecê-los, independentemente dos meios, que me torno disposto a gastar meu dinheiro com eles. A condição de possibilidade para se gastar dinheiro é conhecer o objeto a ser comprado, e não há muitos meios disponíveis para conhecermos álbuns de rock progressivo, especialmente bandas menos populares, como a grande maioria de fato é. A possibilidade de se poder levar a cabo uma pesquisa substancial na internet gratuitamente é maravilhosa, e, na medida em que desenvolvo meu gosto, a vontade de comprar e valorizar os músicos e os demais indivíduos que envolvem a produção de um álbum nasce naturalmente. Claro que isso não ocorre com mésicas ruins, desculpem-me os poucos criativos. Nesse sentido, o aparente descompromisso com os músicos no ato de acessar seu material ilegalmente se converte, se a música for de qualidade obviamente, em atitudes absolutamente favoráveis para a industria fonográfica. Admito a restrição da validade deste pensamento: Com relação ao público passivo, cuja intensão se limita a simplesmente poder escutar as músicas da moda, a atividade do receptor se encerra no ato mesmo de possuir a música. Tanto pela baixíssima qualidade das músicas como pela ausência de compromisso estético e moral com a obra obrigam esta atitude limitada. Os músicos ruins que me desculpem, mas ninguém é obrigado a sustentá-los, os que te ouvem não o fazem por gostar mas por outras circunstâncias que não o levarão ao interesse de valorizar e perpetuar suas atividades. Mas, se tratando de músicas que valem a pena serem escutadas e preservadas, acredito estar certo. Os "bons" ouvintes, e isso pressupõe uma posição ativa na sua relação com a música, provavelmente vai encontrar músicas e merecem reconhecimento e sua resposta não será neutra. Uma dedicação, e isso envolve também o aspecto financeiro, devolverá à música as condições para sua existência. Portanto, sou inteiramente a favor de disponibilizar estes álbuns cujo meio de conhecê-los dificilmente se daria de outra forma.


         O site que realizei minha compra se chama BTF. Vale a pena visitá-lo!!


1. Studio (3:09)
2. Xxii Strada (1:51)
3. I Cavalieri Del Lago dell'Ontario (5:02)
4. Storia Di Una Foglia (2:57)
5. Nato Adesso (7:53)
6. C'e' Troppa Guerra (9:53)
7. Paolo E Francesca (6:06)
8. Chi Mi Puo' Capire (4:35)

Total Time: 41:26


- Nico Di Palo / guitar, lead vocals
- Gianni Belleno / drums, vocals
- Frank Laugelli (Rhodes) / bass
- Maurizio Salvi / piano, organ, synthesizer
- Vittorio De Scalzi / guitar 


Download 4shared

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Agitation Free - Second 1973


  Queria pedir desculpas pela minha ausência. Tenho me ocupado bastante com outras coisa atualmente e não pude postar nada interessante no Blog. Venho com este álbum para não ficar parado o blog. É um clássico, e muitos devem conhecer. É um álbum indispensável na coleção prog de você, e se já conhecem tomem o post como um impulso para re-escutá-lo pois provavelmente o escutaram de outra forma! 



1. First Communication (8:10)
2. Dialogue And Random (1:51)
3. Layla, Part 1 (1:41)
4. Layla, Part 2 (6:47)
5. In The Silence Of The Morning Sunrise (6:33)
6. A Quiet Walk (9:15)
a) Listening
b) Two-not Of The Same Kind
7. Haunted Island (7:11)

Total Time: 41:28

- Stefan Diez / guitar
- Micheal Gunter / bass
- Micheal Hoenjo / synth, keyboards
- Burghard Rausch / drums, assorted percussions, voice, Mellotron
- Lutz Ulbrich / guitar, 12 string guitar, Bouzouki

Download Mediafire - 91MB, Mediafire - 75MB