Fragmento do texto que dá continuidade aos posts anteriores.
O terceiro e ultimo aspecto formal que nos importa apontar é a tendência, cada vez mais acatada da supressão do silêncio. No seu estágio mais radical, o aniquilamento do silêncio se converte numa estética própria, a estética do preenchimento, plenamente atendida pelo Heavy Metal. Com suas distorções que prolongam o som irrestritamente, e seqüências de notas cujo intervalo tende a zero, o silêncio perde seu lugar, de forma que cada fragmento da música tente gerar uma capacidade intrínseca de chamar a atenção do espectador. O silêncio é, na música cuja forma pretende satisfazer as demandas comerciais, a nota esquecida e rejeitada.
Nada mais apropriado para oferecer um exemplo de resistência do que John Cage.
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